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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Passemos, tu e eu, devagarinho (Reinaldo Ferreira)



Passemos, tu e eu, devagarinho
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

Reinaldo Ferreira


Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira (Barcelona, 1922; Lourenço Marques, 1959) foi um poeta português que realizou toda a sua obra em Moçambique. 

Recordemos que o nome da capital de Moçambique mudou para Maputo aquando da independência de Portugal.

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