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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Teixeira de Pascoaes - Poeta


POETA

Quando a primeira lágrima aflorou
Nos meus olhos, divina claridade
A minha pátria aldeia alumiou
Duma luz triste, que era já saudade.

Humildes, pobres cousas, como eu sou
Dor acesa na vossa escuridade...
Sou, em futuro, o tempo que passou-
Em num, o antigo tempo é nova idade.

Sou fraga da montanha, névoa astral,
Quimérica figura matinal,
Imagem de alma em terra modelada.

Sou o homem de si mesmo fugitivo;
Fantasma a delirar, mistério vivo,
A loucura de Deus, o sonho e o nada.

Teixeira de Pascoaes

Sempre (1898)


(CVC)



"Teixeira de Pascoaes", por Maria das Graças Moreira de Sá, em Instituto Camões.



sexta-feira, 17 de abril de 2020

Teixeira de Pascoaes - “Na palavra abysmo..."


A Reforma Ortográfica de 1911 deixou cair o y. A palavra abysmo passou a abismo. Na altura, o escritor Teixeira de Pascoaes, revoltado com a alteração, escreveu: “Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mistério…Escrevê-la com i latino é fechar a boca do abysmo, é transformá-lo numa superfície banal.”


(Fonte: Revista Estante - Fnac; também lemos aí: "Abysmo: como no antigo acordo. A editora de João Paulo Cotrim nasceu em 2011, no abysmo da crise económica. Mas isso, sublinha o fundador, é o que menos importa")



Regressar a Casa com Manuel António Pina (Abysmo, 2015), de Inês Fonseca Santos, em Deus me Livro.