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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Mário Dionísio - Elegia ao companheiro morto

 

ELEGIA AO COMPANHEIRO MORTO  

Meu companheiro morreu às cinco da manhã
Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã

Ah antes fosse noite noite apenas noite
sem a promessa da manhã

Ah antes fosse noite noite noite apenas noite
e não houvesse em tudo a promessa da manhã

Deitado para sempre às cinco da manhã

Agora que sabia olhar os homens com força
e ver nas sombras que até aí não via a promessa risonha da manhã

Mas quem se vai interessar amigos quem
por quem só tem o sonho da manhã?

E uma vez de noite ao fim da noite mesmo ao cabo da noite
meu companheiro ficou deitado para sempre
e com a boca cerrada para sempre
e com os olhos fechados para sempre
e com as mãos cruzadas para sempre
imóvel e calado para sempre

E era quase manhã E era quase amanhã


Mário Dionísio



sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Mário Dionísio - Meu galope é em frente



MEU GALOPE É EM FRENTE

Direis que não é poesia
e a mim que importa?
Eu canto porque a voz nasce e tem de libertar-se.
E grito porque respondo
às lanças que me espetam
e aos braços que me chamam,
E porque, dia e noite, minhas mãos e meus olhos,
por estranhas telegrafias,
dos cantos mais ignotos
e das linhas perdidas
e dos campos esquecidos
e dos lagos remotos,
e dos montes,
recebem longas mensagens e comunicações:
para que grite e cante.
O meu grito e meu canto é a voz de milhões.
Por isso que me importa?
Eu canto e cantarei o que tiver a cantar
e grito e gritarei o que tiver a gritar
e falo e falarei o que tiver a falar.
Direis que não é poesia.
E a mim que importa
se eu estou aqui apenas para escancarar a porta
e derrubar os muros?
E a mim que importa
se vós sois afinal o que hei-de ultrapassar
e esmigalhar
em nome
de todos os futuros?
Eu sigo e seguirei,
como um doido ou um anjo,
obstinado e heróico a caminho de nós
em palavras e acções
por todos os vendavais
e temporais
e multidões
nos cantos mais ignotos
e nas linhas perdidas
e nos campos esquecidos
e nos lagos remotos
e nos montes
- por terra, mar e ar.
Direis que não é poesia
E a mim que importa!
Convosco ou não, meu galope é em frente.
Pertenço a outra raça, a outro mundo, a outra gente.
É andar, é andar!

Mário Dionísio 



«Meu galope é em frente», por Inês Nogueira e Carlos Zíngaro 




(Fotografia de Marie Hacene - au pas de course. quartier Casa da musica, Porto, 2017)


terça-feira, 1 de junho de 2021

Mário Dionísio - Balada dos amigos separados

Fotografia de César Augusto V.R.


BALADA DOS AMIGOS SEPARADOS

Onde estais vós Alberto Henrique
João Maria Pedro Ana?
Onde anda agora a vossa voz?
Que ruas escutam vossos passos?
Ao norte? ao sul? aonde? aonde?
José António Branca Rui
E tu Joana de olhos claros
E tu Francisco E tu Carlota
E tu Joaquim?
Que estradas colhem vosso olhar?
Onde anda agora a vossa vida repartida?
A oeste? A leste? Aonde? aonde?
Olho prà frente prà cidade
e pràs outras cidades por trás dela
onde se agitam outras gentes
que nunca ouviram vosso nome
e vejo em tudo a vossa cara
e oiço em tudo o som amigo
a voz de um a voz de outro
e aquele fio de sol que se agitava
sempre
em todos nós
Dançam as casas nesta noite
ébrias de sombra nesta noite
que se prolonga em plena angústia
aos solavancos do destino
e não consegue estrangularmos
Sigo e pergunto ao vento à rua
e a esta ânsia inviolável
que embebe o ar de calafrios
Onde estais vós? onde estais vós?
E por detrás de cada esquina
e por detrás de cada vulto
o vento traz-me a vossa voz
a rua traz-me a vossa voz
a voz de um a voz de outro
toada amiga que me banha
tão confiante tão serena
Aqui aqui em toda a parte
Aqui aqui E tu? aonde?

Mário Dionísio


De As Solicítações e Emboscadas (1945)


(Centro Mário Dionísio)




sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

"Cantarolar pela rua Assobiar..." (Mário Dionísio)


Cantarolar pela rua Assobiar
de mãos nos bolsos como quem tem dez anos ou cinquenta
Ter aberto um jornal que não se lê
Interromper sem razão uma conversa
Voltar ou não voltar e afinal voltar
Contagiar desta alegria toda até aqui submersa
os que não sabem nada disto ou disto riem
e só de ver sorrir assim também sorriem
confusamente sem saber porquê

isto é estar vivo é bom e não se explica
nem inventa

Mário Dionísio

Memória dum Pintor Desconhecido (1965)


_________________________________________


Nota. O professor chegou ao fim da sua vida laboral e é por isso que os outros dois blogues de português desta Escola, Olá, como estás?  (1º e 2º de ESO) e Ao pé da Raia (3º e 4º), terminam hoje com uma despedida.

Pelo contrário, Um reino maravilhoso começa nestes frios dias um breve período de descanso e voltará na primavera com mais poesia, sobretudo, e algumas prosas, mas já desligado do IES M. Domingo Caceres.



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

"E o «doutor», meu Deus! Esse banal e tão português «senhor doutor»? "(Mário Dionísio)



Andei tantos anos lá por fora! Foram tantos, na verdade, que quase me esqueci de alguns usos e costumes da terra onde nasci, a minha pátria.

Com efeito! Os franceses governam-se com um tu e um vous, um Monsieur, um Madame, um Mademoiselle e já está. No dia-a-dia, digo eu. Os povos de língua inglesa (esses então!) resolvem tudo com um bendito you. Ou pouco mais. Até os espanhóis, tão dados ao saracoteio, além do tu, se ficam normalmente por um bom e expressivo usted, como um remate de frenéticas castanholas: chega bem. Só nós –pobres de nós!, nesta terrinha esguia entre a Europa e o mar–, nos agarramos a uma ensarilhada gama de fórmulas obsoletas, ou que assim me parecem, no nosso convívio diário. Gama tão subtil e caprichosa que nem sempre nós próprios sabemos qual escolher. Será preciso dizer mais? Além do «tu», que é da ordem natural das coisas, há o «vós» (o solene e untuoso «vós»: pensastes, quiserdes, julgaríeis), já quase morto, o coitado, mas ainda estrebuchando com vigor, o «vocemecê» ou «vomecê», o agora universal «você», ainda não há muito recebido à patada: «Você é estrebaria!»

E o «Senhor», o «Senhora», o «Menina», o «Dona», o «Senhora Dona», o «Vossa Excelência» ou «Vocelência» ou «Vossência», o «Excelentíssimo Senhor», o «Excelentíssima Senhora». E, ainda, o «Excelentíssima Senhora Dona», o «Ilustríssimo Senhor», o «Vossa Senhoria». Estará a lista completa? O «Senhora», «Senhora Dona» ou só «Dona» já me puseram, e por mais de uma vez, em situações embaraçosas. Que sempre corrigi a tempo por uma espécie de intuição que só posso atribuir a profundas ligações de consaguinidade. A vendedeira de hortaliça do mercado onde cá em casa se abastecem normalmente é a senhora Josefa. Claro. Não a D. Josefa. E nunca por nunca ser senhora D. Josefa. A proprietária da lojeca onde compro os jornais e os cigarros, já não poderei eu tratá-la por senhora Margarida (incorreção das grandes), mas por D. Margarida, prova de distinção, ainda que modesta. Um est modus in rebus. Longe, portanto, de senhora Margarida, mas também de senhora D. Margarida, tratamento a que ela não tem de aspirar. E a sua vizinha do lado, esposa dum funcionário das Finanças ou lá que é, só legitimamente pode ser senhora D. Catarina. Não trabalha. Só D. Catarina implicaria excessiva ou menor consideração. E senhora Catarina, nem brincando. Isso era grosseria de se levar com a porta na cara.

Toda a gente me diz que nos últimos anos (de algo terá servido o 25 de Abril) está em curso uma certa evolução. Muito lenta, claro está. Nisto, como em tudo, um sonolento arrastar de caracol. [ ... ]

E o «doutor», meu Deus! Esse banal e tão português «senhor doutor»? Essa leitura da abreviatura por contracção («dr.») do grau de licenciado, que meio país continua a cobiçar? Quem não quer ser «doutor», ainda que só «dr.» - vantagens do código oral sobre o código escrito? Quem não fará tudo para isso, os pais empenhando o que têm e não têm, os filhos estudando, claro, ou inventando mil processos de irem fazendo cadeiras e mais cadeiras, até obterem o sagrado diploma que da jus ao desejado tratamento? Porque –isto me espanta mais que tudo–, no país de que estive ausente tanto tempo mas é o meu país (a gente pode andar lá por fora a vida inteira mas não quer outra pátria), tal título continua a proporcionar benesses que o simples “senhor” nunca deu nem dará. Apesar –é notável!– da abundância já inflacionária daqueles que o usam. Facilita coisas, abre portas, encurta ou alarga prazos. […]

Mário Dionísio

«O Meu Reino (Se o Tivesse) por Um Cavalo de Pau», in Monólogo a Duas Vozes, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Auto-retrato (Mário Dionísio)



AUTO-RETRATO

publicado no jornal Diário de Lisboa, 2 de Fevereiro de 1990

É um fulano digamos que intratável, não porque trate mal a gente, pelo contrário, mas por nos deixar sempre hesitantes sobre por onde lhe pegar. Das várias actividades a que sempre se dedicou, qual é a principal? Como julgar as suas contradições, que acabam por se revelar confirmações?

Diz-se indiferente ao que os outros pensem dele, mas sentimo-lo infeliz quando o acham, por exemplo, intransigente ou passam pelo que fez e faz como cães por vinha vindimada. Chega a sofrer com isso, o pobre, não tanto por vaidade ferida como porque, então, talvez não tivesse valido a pena. A velha ideia fixa da utilidade, do dever. Uma seca. Contudo, só muito lá por dentro.

Meão de altura, como o outro, de cabelo mais escasso do que quem quer gostaria de ter, prognatismo muito acentuado, talvez pelo uso do cachimbo a toda a hora durante anos, é afinal um sujeito bem menos austero do que os que o conhecem mal geralmente supõem. Por baixo daquela exigência toda de rigor e de coerência (perante tudo e to­dos, a começar por si próprio), uma criança espreita.

Daí decerto o tal vício maior de gostar de brincar com o lume, ou seja, uma actividade permanente em desafio a si próprio e em senti­dos diferentes, com a mesma paixão ou teimosia: professor (44 anos!), militante político, que continuou a ser, mesmo depois de, por discordâncias de metodologia, se ver ou julgar sozinho, ensaísta de pendor polemizante, ficcionista, poeta – antes e depois de tudo, melhor: em tudo – pintor, agora a tempo inteiro.

Tinetazinha incurável: um desejo de per­feccionismo quase doentio. Escreveu sempre cada página dezenas de vezes, pintou e repin­tou cada uma das suas telas até à saturação. Além das que destruiu, uma montanha. É um chato em certas coisas: come porque tem de ser e só bebe água, detesta demorar-se à mesa, gostando de conviver, lamenta-se de que haja tão pouca gente com que (lhe) valha a pena fazê-lo.

Os historiadores da cultura do futuro (que os de agora estão próximos de mais) terão algumas surpresas – veleidade dele - com uma ou outra coisa que disse ou fez antes de ninguém, muito particularmente na concepção e prática do neo-realismo (um bradar no deserto!), que ajudou a fundar e defendeu até lhe parecer possível e ainda útil fazê-lo. Ag­ora foge quanto pode a refalar no assunto. O repisar enerva-o.

Bibliografia activa, resumida­mente: entre muitos escritos, palestras, entrevistas dês carácter ensaístico, «A Paleta e o Mundo», que teve o Grande Prémio de Ensaio da Sociedade Portuguesa de Escri­tores no ano da publicação do último volume (1962); cinco livros de poesia, desde 1941, in­cluídos no volume «Poesia Incompleta» (1966), a que se tem de acrescentar «Le Feu qui Dort» (1967) e «Terceira Idade» (1982), prémio ex-aequo, da Associação Internacional dos Críti­cos; Literários; três livros de contos: «O Dia Cinzento» (1944), reescrito e reeditado, a partir de 1967, com o título de «O Dia Cinzento e Outros Contos», «Monólogo a Duas Vozes» (1988), um romance: «Não há Morte nem Princípio» (1969); uma pequena «Autobiografia» (1987).

Viajou pela Europa, teve duas ou três doenças graves, morrerá breve ou daqui a muitos anos. A propósito da sua primeira exposição individual de pintura aos 73 anos, terminou uma entrevista na TV desta maneira: «Aos cem anos aqui estarei de novo».

Todavia, de há tempos para cá, começou a dizer-se velho, sobrevivente, etc., porque não consegue fazer tanto quanto quer, passou a detestar deslocar-se e escabuja com a invasão da literatura pelo marketing.

Não perdoa o festim. Que com coisas sérias não se brinca e outros propósitos desactualizados. Mas a tal criança ri-se e lá o vai puxando alegremente.

No catálogo da sua exposição na Nasoni (Out./Nov. de 1989), escreveu isto: «Vou caminhando sem destino e sem repouso. Gostando sempre pouco do que pinto, precisando sempre muito de pintar. Assim foi, certamente assim será. Não ambiciono mais».

Resta saber se sim. O mais prudente é esperar.

Mário Dionísio 


Lido aqui: Centro Mário Dionísio




segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

País de azulejos partidos (Mário Dionísio)




PAÍS DE AZULEJOS PARTIDOS

País de azulejos partidos
de erva trepando entre paredes em ruína
País entregue à sua sina
sem olhos e sem ouvidos

País voraz ruminando o almoço
rindo ou chorando incapaz de sorrir
País de corpo aberto a quem está a seguir
País do rastejar entre a pele e o osso

Pulinhos para trás e para a frente
de polegar na cava do colete
foguetes procissões uns copos de palhete
país da pequenez de si mesma contente

País indiferente aos que dão por ele a vida
País herói se não há perigo em sê-lo
País de velhos do Restelo
dado à mão-baixa perto e consentida

País que tudo quer e nada quer tudo suporta
País do faz como vires fazer
País do quero lá saber
do quem vier depois que feche a porta

Mário Dionísio

(1916-1993)

Do seu livro Terceira Idade (1982)


Centro Mário Dionísio




quinta-feira, 7 de abril de 2016

Arte poética (Mário Dionísio)




ARTE POÉTICA

A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.

Mário Dionísio


(Lido no blogue Voar fora da asa)




quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O dia cinzento (Mário Dionísio)



Da estação via-se a praia e o mar. A água vinha de longe, muito azul e muito lisa, e aproximava-se, cada vez menos azul e menos lisa, até espadanar em pequenos cachões de espuma que morriam na areia. A praia estava deserta. Uma ou outra pessoa descia os degraus de cimento da esplanada para matar o tempo, dava uns passos na areia, voltava a subir os degraus, sentava-se a uma mesa como toda a gente.

A aprendiza entregara os chapéus o mais depressa possível. Ficara com vinte minutos livres. E com um olho no relógio, o outro na esplanada, gozava aquele espectáculo dos guarda-sóis de tantas cores e das mesinhas brancas cheias de rapazes de pele queimada, raparigas bonitas de cabelos soltos e sem meias, estiraçados, fumando.

Nunca estivera tão perto do mar. Pelo menos desse mar assim azul, dessa língua de areia que só conhecia dos cartazes de turismo, dessas pessoas despreocupadas, saudáveis, felizes, vestindo roupas caras com o à-vontade com que ela usava a bata de trabalho e eram tal qual as pessoas dos filmes que passavam no pequeno cinema do seu bairro. Mas aquilo não era um filme, era verdade. Os cartazes não mentiam. Em Janeiro estava uma temperatura de princípios de Outono. Andava-se em cabelo. As raparigas não usavam meias. Janeiro e podia-se andar como no Verão. Que diferente do seu bairro de Lisboa, das ruas que sempre conhecera, do prédio onde trabalhava em casa da Madame Ivone, dos jardins da cidade! Agradecia a Deus a sua sorte. A Madame escolhera-a para trazer os chapéus àquela freguesa que pagava o bastante para se permitir o luxo de receber as encomendas em casa, a trinta quilómetros de Lisboa. Podia ter escolhido outra. Acaso. Sorte. Primeiro, nem queria crer. Perguntara de olhos espantados: Eu? E a Madame Ivone, sem dar por nada: «Sim, tu, despacha-te.» Dava as suas ordens, explicava: «Tiras um bilhete de terceira só para lá.» E ela só pensava: eu?, é possível que seja eu? «À volta, tiras de segunda, porque o comboio com terceira é muito tarde. Despacha-te. Quero-te cá antes da noite.»

Mário Dionísio 

O dia cinzento (1944)

Poeta, crítico, pintor, romancista, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde viria a desenvolver atividade docente. Mário Dionísio desempenhou um papel importante na teorização do Neorrealismo, movimento literário que, pelas décadas de 40-50, à luz do materialismo histórico, valorizou a dimensão ideológica e social do texto literário, enquanto instrumento de intervenção e de consciencialização. (continua - Infopédia)