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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Mundo Cão (Helena F. Matos)



O que é mais importante: a morte de uma criança ou de um cão? Do cão, pelo menos a fazer fé nesta notícia do DN: «Mulher esfaqueou o seu cão por lhe matar a filha. Uma mulher inglesa esfaqueou, na terça-feira, o seu cão, numa tentativa de salvar a filha de quatro anos de ser fatalmente atacada pelo animal. No entanto, a menina, que acabou por ser atacada, morreu no hospital. Segundo as autoridades policiais, Jodie Hudson esfaqueou o seu cão Mulan, de cerca de oito anos, com uma faca de cozinha, após este ter atacado sua filha Lexi Branson, no apartamento onde viviam, em Mountsorrel, perto de Loughborough (Inglaterra). A menina, de quatro anos, acabou por morrer no hospital, devido aos ferimentos provocados pelo ataque do animal.» O destaque da notícia vai para o facto da mulher ter esfaqueado o cão. A morte da criança vem em segundo plano.

«Neste momento, estamos a investigar o caso para perceber toda a história do animal, o local de onde veio, como foi feita a sua inserção na família. E queremos, claro, entrar em contacto com o médico legista para perceber em que circunstâncias se deu a morte de Lexi”, disse Det Supt Sandall, em declarações ao site da BBC.» Da inserção da criança na família nem uma palavra. Sobre o facto de a família deixar a criança num apartamento ao pé do cão também nada. Vão investigar a morte do cão. Perceber toda a história do animal. E claro também falam com o médico legisla para perceber como morreu a criança.

 Helena F. Matos em Blasfémias (7-novembro-2013)