POESÍA a rodos Textos em prosa em português (literários e não literarios) Vídeos com histórias

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Manuel Alegre é o vencedor do Prémio Camões




Manuel Alegre é o vencedor do Prémio Camões

8 de junho de 2017

Escritor é o 12.º autor português a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa.

O Prémio Camões de 2017 foi esta quinta-feira atribuído ao poeta e romancista Manuel Alegre, que se torna assim, aos 81 anos, o 29.º autor (e o 12.º português) a receber a mais importante consagração literária da língua portuguesa.

O prémio, no valor de cem mil euros, foi anunciado esta quinta-feira à tarde na sede da Biblioteca Nacional brasileira, no Rio de Janeiro, quando em Portugal eram cerca de 19h40. O nome de Manuel Alegre foi escolhido por um júri que integrou as ensaístas portuguesas Maria João Reynaud e Paula Morão, os académicos brasileiros José Luís Jobim de Salles Fonseca e Leyla Perrone Moisés, o poeta cabo-verdiano Jose Luiz Tavares e o especialista moçambicano em literaturas africanas Lourenço do Rosário.

Poeta, romancista e ensaísta, Manuel Alegre tem um longo percurso como lutador anti-fascista, é um dirigente histórico do PS e foi candidato à Presidência República em 2006.

(....)


Notícia completa no diário Público (8 de junho de 2017)


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


AGORA MESMO

Está gente a morrer agora mesmo em qualquer lado
Está gente a morrer e nós também

Está gente a despedir-se sem saber que para
Sempre
Este som já passou Este gesto também
Ninguém se banha duas vezes no mesmo instante
Tu próprio te despedes de ti próprio
Não és o mesmo que escreveu o verso atrás
Já estás diferente neste verso e vais com ele

Os amantes agarram-se desesperadamente
Eis como se beijam e mordem e por vezes choram
Mais do que ninguém eles sabem que estão a despedir-se

A Terra gira e nós também A Terra morre e nós
Também
Não é possível parar o turbilhão
Há um ciclone invisível em cada instante
Os pássaros voam sobre a própria despedida
As folhas vão-se e nós
Também
Não é vento É movimento fluir do tempo amor e morte
Agora mesmo e para todo o sempre
Amen



Do seu livro Chegar Aqui