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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Esplendor na relva (Ruy Belo)

Deanie Loomis, interpretada por Natalie Wood,  lê o poema de Wordsworth na sala de aula, no filme Splendor in the grass (1961) de Elia Kazan (Fotograma: www.dvdbeaver.com)



ESPLENDOR NA RELVA

Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste

A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste

na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais

lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais

Ruy Belo 


"Although already nothing can give back to the hour of the splendor in the grass nor the glory in the flowers, we do not have we afflicted, because the beauty always subsists in the memory"

Este é o excerto do poema de Wordsworth que inspirou o filme de Kazan:

What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.